Guilherme Boulos, principal nome do PSOL, enfrenta resistência para aprovar uma federação com o PT. A proposta é parte da estratégia de Luiz Inácio Lula da Silva para unificar a esquerda.
Boulos foi o deputado federal mais votado de São Paulo em 2022, com mais de 1 milhão de votos. Após um desempenho insatisfatório na campanha pela prefeitura de São Paulo em 2024, ele foi nomeado por Lula para a Secretaria-Geral da Presidência da República, com a missão de mobilizar movimentos sociais em apoio à reeleição do presidente.
A criação da federação, instituída pela legislação em 2021, exige que os partidos permaneçam unidos por pelo menos quatro anos, apoiando os mesmos candidatos em todo o país. Em 2022, o PT já havia formado federações com o PV e o PCdoB. A ideia de incluir o PSOL, que já está federado com a Rede, foi proposta dentro do PT.
O presidente do PT, Edinho Silva, acredita que a federação ajudaria a enfrentar o bolsonarismo e a defender temas prioritários, como o fim da escala de trabalho 6×1. A proposta ganhou apoio de figuras importantes do PSOL, como a deputada Erika Hilton e a ministra Sonia Guajajara, que assinaram um documento público defendendo a federação.
No entanto, a proposta enfrenta forte oposição dentro do PSOL, especialmente de sua presidente, Paula Coradi, e de Heloísa Helena, líder da Rede. Durante a semana, deputados como Sâmia Bomfim, Glauber Braga e Fernanda Melchionna se manifestaram contra a federação, argumentando que isso tornaria o PSOL um “puxadinho” do PT e comprometeria sua independência no Congresso.
Braga destacou que a federação obrigaria o PSOL a apoiar candidatos do PT, como Eduardo Paes no Rio de Janeiro, sem a possibilidade de lançar candidaturas próprias. A cientista política Mayra Goulart apontou que a aliança pode ter prós e contras, e que partidos podem perder cadeiras ao se unirem a legendas maiores.
A decisão final sobre a federação deve ocorrer no dia 7 de março, durante reunião do diretório nacional do PSOL, onde se estima que 75% dos filiados rejeitem a proposta. A Rede já declarou que não seguirá os psolistas se a decisão for pela aliança com o PT.
“A federação Rede-PSOL se propõe a criar uma alternativa de esquerda, e não uma força que se proponha a hegemonizar a esquerda”, afirmou Paulo Lamac, presidente da Rede. Sâmia Bomfim expressou desconfiança em relação ao grupo que busca uma maior aproximação com o PT, questionando a motivação de Boulos.
A divisão entre os partidos de esquerda é histórica, com o PSOL surgindo de um racha com o PT. Após participar das eleições presidenciais de 2022, os dois partidos se dividiram novamente sobre a participação no governo de Lula. Apesar de Boulos ser visto como uma ponte entre os partidos, suas tentativas de unir a esquerda podem enfrentar novos desafios.


