Mulheres vítimas de violência doméstica na região de Ribeirão Preto (SP) enfrentaram, em média, 13 tipos de violência por dia ao longo de 2025. Os dados são do painel federal Ligue 180 e incluem abusos físicos, psicológicos, sexuais, patrimoniais e morais.
O painel é uma ferramenta do Ministério das Mulheres que organiza e divulga informações sobre a violência contra mulheres no Brasil, além de mapear serviços de proteção. No total, Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho e Barretos somaram 5.063 violações no ano passado.
A maioria das denúncias ocorre dentro da casa da vítima ou na residência compartilhada com o agressor. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade e destacou o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores, além da ampliação das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) no estado.
Em 2025, Ribeirão Preto liderou o índice regional com 3.380 registros de violência. Franca teve 1.094, Sertãozinho 333 e Barretos 256 casos. Em janeiro de 2026, Ribeirão Preto já registrou 376 violações, um aumento em relação às 238 do mesmo mês no ano anterior.
As estatísticas mostram que a violência ocorre majoritariamente no ambiente familiar. Em Ribeirão Preto, das 844 denúncias gerais feitas pelo canal no ano passado, 658 ocorreram dentro de casa. Em Franca, 193 de 247 denúncias foram no ambiente familiar. Em Barretos, 55 de 77, e em Sertãozinho, 48 de 66.
A advogada Gabriela Rodrigues afirmou que o aumento no volume de denúncias pode ser atribuído à conscientização das mulheres sobre os abusos. Ela destacou que a Lei Maria da Penha mudou a forma como a Justiça trata esses casos, colocando a mulher no centro da discussão.
Apesar dos avanços, a proteção das vítimas ainda enfrenta barreiras estruturais. Um levantamento mostrou que 21,7% das vítimas de feminicídio em 2024 possuíam uma Medida Protetiva de Urgência vigente no momento do assassinato.
A SSP informou que o uso de tornozeleiras eletrônicas foi instituído em setembro de 2023, com 712 agressores monitorados. Além disso, a secretaria implementou medidas de prevenção e proteção, como operações policiais e o aplicativo SP Mulher Segura, que conecta mulheres em risco com a polícia.


