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Mulheres se reúnem em Copacabana contra a violência e o feminicídio

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

No Rio de Janeiro, o Dia Internacional das Mulheres foi marcado por uma marcha na Praia de Copacabana. Milhares de mulheres protestaram contra o feminicídio e as diversas formas de violência de gênero.

As manifestantes exigiram mais orçamento para as políticas públicas voltadas à igualdade. No carro de som, representantes de coletivos feministas se revezaram na leitura do manifesto do movimento. As reivindicações abordaram a criminalização dos grupos que promovem o ódio às mulheres, o aumento das licenças-maternidade e paternidade, a criação de linhas de crédito para mulheres empreendedoras e de espaços educacionais inclusivos para crianças com deficiência ou neurodivergentes.

Outra demanda lembrada foi o fim da escala 6×1 de trabalho. O protesto teve como tônica principal o fim da violência de gênero. Muitas participantes lembraram de casos recentes, como a morte de Tainara Souza Santos, atropelada por um ex-companheiro, e o estupro coletivo cometido contra uma adolescente, ocorrido na mesma Copacabana onde o ato acontecia.

Acompanhando o carro de som, as participantes cantaram uma paródia da música “Eu quero é botar meu bloco na rua” de Sérgio Sampaio: “Eu quero é andar sem medo nas ruas. Chega! Queremos viver! Eu quero é ficar sem medo em casa. Chega! Queremos viver!” À frente da marcha, um grupo de pernaltas carregava uma faixa com a frase: “Juntas somos gigantes”. As artistas realizaram uma performance deitando no chão de olhos fechados, em homenagem às mulheres mortas nos crimes de violência de gênero.

O protesto reuniu várias gerações de mulheres. Rachel Brabbins participou da marcha ao lado da filha Amara, de sete anos, que carregava um cartaz com os dizeres: “Lute como uma menina”. Rachel afirmou: “Eu acho super importante, pra ela aprender que tem direitos, tem voz e pode falar. Aqui também ela vê a nossa luta, e que estamos todas juntas”.

Silvia de Mendonça, que milita em coletivos feministas desde a década de 80, compareceu à marcha vestindo uma bandeira com o rosto da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018. “A Marielle foi vítima de um crime brutal, que pretendia o silenciamento e o apagamento dela. É uma dor muito entranhada, que se reflete também em outras mulheres vítimas de feminicídio, de violência doméstica, de estupro… E a Marielle se tornou um símbolo de resistência, de que nós temos que nos unir cada vez mais”, disse.

As organizadoras do ato convocaram os homens a se juntarem à luta pelo fim das violências. Thiago da Fonseca Martins participou do protesto com o filho Miguel, de 9 anos. Ele destacou a importância da contribuição dos homens de forma ativa, inclusive na criação dos filhos. “Obviamente, a gente não pode promover violência contra a mulher, mas também temos que promover a igualdade sempre que a gente puder”, afirmou.

Rita de Cássia Silva, presente na manifestação, ressaltou a importância da educação contra a violência de gênero: “Essa cultura misógina é geracional. Ao longo de gerações, muitas mulheres achavam que era normal as violências que elas sofriam, e os filhos assistiam aquilo e achavam que era normal. É ótimo que nós estamos conscientizando a população adulta, mas é importante uma iniciativa, com apoio dos governos, para ajudar as famílias a mudar essa cultura, desde as crianças”.

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