Vereadora de Esmeraldas é cassada por compra de votos; ofertas variavam entre R$ 50 e R$ 100

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Justiça Eleitoral de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, cassou o mandato da vereadora eleita Ivanete Mãe do Wellitin (Mobiliza) por compra de votos durante a campanha das eleições municipais de 2024. A decisão cabe recurso.

Segundo a Justiça Eleitoral, Ivanete oferecia entre R$ 50 e R$ 100 por voto, com a participação do filho, Wellington Adriano Silva Júnior, conhecido como Wellitin. Além da cassação, a vereadora foi multada em cerca de R$ 37 mil.

A sentença absolveu o prefeito Marcelo Nonato (Solidariedade) e o vice-prefeito Gustavo do Dedé (Mobiliza), pois não foi comprovada a participação deles no esquema. A juíza responsável pelo caso afirmou que não havia evidências de que eles autorizaram ou tinham conhecimento da compra de votos.

De acordo com a decisão, eleitores foram abordados com propostas de pagamento, geralmente por mensagens de WhatsApp e contatos pessoais. Testemunhas confirmaram que receberam propostas e, em alguns casos, enviaram fotos do comprovante de votação para confirmar o voto. Para a Justiça, a oferta já configura crime eleitoral, independentemente do pagamento efetivo.

As investigações começaram após denúncias anônimas e resultaram em uma operação policial no dia da votação, em 6 de outubro de 2024. Policiais notaram um grande fluxo de pessoas em uma casa no Centro de Esmeraldas, onde foram apreendidos celulares, material de campanha e mensagens que indicavam a negociação de votos.

A movimentação financeira da candidata também foi considerada suspeita. Entre julho e outubro de 2024, Ivanete movimentou cerca de R$ 530 mil, incluindo saques em dinheiro próximos de R$ 40 mil, valores incompatíveis com sua renda declarada. A atuação de Wellitin, que não podia se candidatar devido a direitos políticos suspensos, também foi destacada.

A Justiça concluiu que, embora algumas abordagens a eleitores mencionassem pedidos de voto para a chapa de prefeito e vice, não havia provas suficientes de que Marcelo Nonato e Gustavo Henrique participaram ou apoiaram a compra de votos. O esquema foi considerado de alcance limitado e não alterou o resultado da eleição para prefeito, que teve uma diferença de mais de 12 mil votos entre o vencedor e o segundo colocado.

Com a decisão, Ivanete Mãe do Wellitin perde o mandato conquistado nas eleições de 2024. O caso continua sendo analisado na área criminal, em processos separados, que apuram a responsabilidade de outros envolvidos nas investigações.

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