A Justiça determinou que o cabo da Polícia Militar, Diego Felipe de França Silva, será julgado pelo júri popular pela morte da menina Heloysa Gabrielly, de 6 anos. O incidente ocorreu em Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco, enquanto a garota brincava no terraço da casa da avó.
A decisão foi publicada na quarta-feira (11) pela Vara Regional do Tribunal do Júri do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca. A sentença de pronúncia indica que o juiz considerou haver indícios suficientes para que o caso seja analisado por um júri popular.
O caso remonta a março de 2022, e desde então, Diego Felipe responde ao processo em liberdade. Ele fazia parte do Batalhão Policial de Operações Especiais (Bope). Moradores relataram que os policiais chegaram atirando na comunidade de Salinas. Inicialmente, a Polícia Militar alegou que houve troca de tiros com criminosos.
Um vídeo posteriormente divulgado mostrou um homem sendo perseguido pela equipe momentos antes da morte de Heloysa. Dois meses após o incidente, esse homem foi morto em uma abordagem policial, junto com outras duas pessoas.
Em agosto de 2022, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciou Diego Felipe à Justiça. Agora, cabe ao Tribunal do Júri decidir sobre a culpabilidade do policial, que é acusado de homicídio qualificado, por utilizar um meio que poderia colocar outras pessoas em risco. A acusação também menciona erro na execução, quando uma pessoa tenta atingir um alvo, mas acaba ferindo ou matando outra.
A defesa do policial ainda pode recorrer da decisão, e o júri será agendado apenas quando não houver mais possibilidade de recurso. A decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) mantém a liberdade provisória do réu, que deve cumprir medidas cautelares, como não manter contato com testemunhas ou familiares da vítima, atualizar seu endereço e telefone, e comparecer sempre que convocado pela Justiça.
Heloysa Gabrielly foi baleada no dia 30 de março de 2022, na comunidade de Salinas, em Porto de Galinhas, enquanto brincava no terraço da casa da avó. Moradores afirmaram que a chegada da polícia foi marcada por disparos. O caso gerou grande repercussão e protestos na região, além de denúncias de organizações de direitos humanos sobre a violência policial.
Com a decisão judicial, o caso seguirá para julgamento no Tribunal do Júri.


