Um homem de 42 anos foi preso preventivamente em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, após a enteada de 13 anos denunciar supostos abusos sexuais por meio de um questionário escolar. A prisão ocorreu no sábado, 14 de março de 2026.
A denúncia foi feita pela adolescente em uma ficha disponibilizada pela escola, que indicava que os abusos teriam começado quando ela tinha 11 anos. A menina relatou o caso em um documento destinado ao compartilhamento de informações sobre possíveis casos de violência.
A delegada Luiza Sousa informou que as fichas são distribuídas para toda a rede de educação e que, ao notar alguma ocorrência de crime, as escolas acionam a polícia. No caso em questão, a instituição registrou que a vítima relatou ser abusada pelo padrasto e que se automutilava.
““Instauramos um procedimento, e foi bem surpreendente, porque a mãe não sabia de nada quando foi chamada na delegacia. Em depoimento, a menina revelou que os abusos tinham acontecido até o dia anterior”, disse a delegada.”
Ainda segundo a polícia, o padrasto continuava a ameaçar a vítima, dizendo que, se ela contasse algo, ele mataria ela e a mãe. Diante desse temor, a adolescente nunca teve forças para pedir socorro até então.
O questionário foi criado por um Comitê de Escuta Especializada da Prefeitura de Santa Maria, que reúne o Conselho Tutelar e outros órgãos municipais. A delegada explicou que, em 2025, a Polícia Civil local recebeu 400 fichas com indicativos de crimes ou abusos.
““A ficha impessoalizou a denúncia, e isso fez com que as denúncias aumentassem. Havia muito receio de represálias por parte do denunciante. A escola assina a ficha, não é uma professora, é a instituição. Se tornou fácil a comunicação”, comentou Luiza Sousa.”
A ficha contém perguntas sobre o tipo de violência sofrida, quem é o suposto agressor e há quanto tempo ocorre a violência, além de um campo para que a vítima descreva a situação e cite fatos anteriores.


