Irã utiliza bombas de fragmentação em ataque a Tel Aviv

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Irã lançou mísseis carregando bombas de fragmentação em direção a Tel Aviv, em Israel, nesta quarta-feira, 17 de março de 2026. O ataque é uma retaliação à morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã.

As forças militares de Israel acusam o regime iraniano de utilizar mísseis de fragmentação em ataques contra seu território desde o início da guerra. Embora exista uma convenção de 2008 que proíbe o uso desse tipo de munição, tanto Israel quanto Irã não são signatários e, portanto, não se sentem obrigados a segui-la.

No passado, Israel já havia denunciado o uso de munições de fragmentação por Teerã durante a guerra de 12 dias entre os dois países em junho de 2025. Israel também utilizou esse tipo de armamento em diversas ocasiões contra o Líbano, em conflitos que ocorreram entre 1978 e 2006. Em 2024, autoridades libanesas relataram indícios do uso de mísseis de fragmentação por Israel no confronto contra o grupo extremista Hezbollah.

As munições de fragmentação, conhecidas como “cluster munition”, são projetadas para se abrir no ar e liberar várias submunições sobre uma área extensa. Essas pequenas bombas têm como alvo áreas amplas, podendo atingir simultaneamente soldados, veículos e infraestruturas. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informa que esse tipo de armamento foi utilizado pela primeira vez durante a Segunda Guerra Mundial e que uma grande quantidade de munições de fragmentação ainda está estocada, herança da Guerra Fria.

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O uso de munições de fragmentação em áreas civis é considerado extremamente perigoso, pois muitas submunições não detonam no impacto e permanecem ativas no solo, funcionando como minas terrestres, o que pode ferir ou matar civis anos após o fim dos conflitos.

Essas bombas são criticadas por organizações internacionais devido à sua ampla dispersão e à falha de detonação de parte das submunições, sendo consideradas uma das armas mais letais para civis. Em 2008, mais de 110 países assinaram a Convenção sobre Munições Cluster, que proíbe o uso, desenvolvimento, armazenamento e transferência desse tipo de armamento. No entanto, nem Israel nem Irã são signatários do tratado, assim como potências militares como Estados Unidos, Rússia e Ucrânia.

O Brasil também não é signatário da convenção. Em 2017, a Human Rights Watch denunciou o uso de bombas de fragmentação de fabricação brasileira em ataques a escolas no Iémen, realizados por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita. Steve Goose, diretor da divisão de armas da Human Rights Watch, criticou a postura brasileira, afirmando que “o Brasil deve reconhecer que munições cluster são armas proibidas que nunca devem ser fabricadas, enviadas ou usadas devido aos danos que causam a civis”.

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