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Justiça

Mulher de desembargador é investigada por suposta função fantasma na Alerj

Amanda Rocha
Última atualização: 18 de março de 2026 19:45
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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A Polícia Federal investiga Flávia Ferraço, esposa do desembargador Macário Neto, preso sob suspeita de vazar informações de uma operação contra o Comando Vermelho, por supostamente atuar como funcionária fantasma na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Segundo a investigação, Flávia ocupava um cargo na Alerj durante a presidência do deputado Rodrigo Bacellar, também preso no mesmo inquérito, mas passava a maior parte do tempo fora do estado, incluindo viagens ao exterior. As suspeitas surgiram a partir da análise de mensagens e dados de geolocalização obtidos durante a investigação.

Flávia Ferraço recebia cerca de R$ 8,2 mil por mês na Alerj e, ao longo dos 30 meses em que permaneceu nomeada, teria recebido mais de R$ 250 mil dos cofres públicos. A equipe de reportagem tentou contato com a Alerj e com Flávia, mas não obteve retorno até a última atualização.

Um dos pontos que chamou a atenção da Polícia Federal foi uma viagem de Flávia ao Chile entre os dias 3 e 6 de setembro de 2025, período em que deveria estar trabalhando na Alerj. Durante esses dias, o celular dela registrou presença em Santiago, e não havia registro de férias ou afastamento formal.

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Os investigadores também identificaram que Flávia passava boa parte do tempo fora do Rio, especialmente na cidade de Vitória, no Espírito Santo. Em depoimento à Polícia Federal, Flávia afirmou morar na capital capixaba há anos, mas quando questionada sobre a frequência na Alerj, disse que ia todos os dias que estava no Rio.

A suspeita de que Flávia não exercia efetivamente o cargo na Alerj foi reforçada por mensagens analisadas pelos investigadores. Em uma conversa com o marido, Flávia escreveu que não tinha emprego fixo, justificando que morava em dois estados para acompanhar o marido.

“”Não tenho um emprego fixo porque moro em dois estados pra acompanhar meu marido e cuidar dele”, escreveu Flávia.”

A declaração contrasta com o fato de que ela estava formalmente nomeada na Alerj. A investigação aponta que isso pode caracterizar improbidade administrativa e indicar que a nomeação ocorreu por influência da relação entre Macário Neto e Rodrigo Bacellar.

Flávia foi exonerada do cargo cerca de três meses após a mensagem. Outro elemento analisado no inquérito são mensagens trocadas entre Flávia e o então diretor-geral da Alerj, Marcos Brito, que afirmou que a nomeação de Flávia foi uma indicação pessoal.

“”Se entrarem na questão da Alerj a gente pode dizer que foi minha indicação pessoal para formação de equipe e por isso sempre esteve lotada na diretoria geral. E nunca na presidência”, escreveu Brito.”

Em outra mensagem, enviada a uma amiga, Flávia afirmou:

“”Coitado do DG (diretor geral). Nem me conhecia”,”

referindo-se ao diretor.

TAGGED:AlerjAssembleia Legislativa do RioCorrupçãoFlávia Ferraçoimprobidade administrativaJustiçaMacário NetoMarcos BritoPolícia FederalRio de JaneiroRodrigo BacellarSantiago, Chile
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