A Polícia Federal investiga Flávia Ferraço, esposa do desembargador Macário Neto, preso sob suspeita de vazar informações de uma operação contra o Comando Vermelho, por supostamente atuar como funcionária fantasma na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Segundo a investigação, Flávia ocupava um cargo na Alerj durante a presidência do deputado Rodrigo Bacellar, também preso no mesmo inquérito, mas passava a maior parte do tempo fora do estado, incluindo viagens ao exterior. As suspeitas surgiram a partir da análise de mensagens e dados de geolocalização obtidos durante a investigação.
Flávia Ferraço recebia cerca de R$ 8,2 mil por mês na Alerj e, ao longo dos 30 meses em que permaneceu nomeada, teria recebido mais de R$ 250 mil dos cofres públicos. A equipe de reportagem tentou contato com a Alerj e com Flávia, mas não obteve retorno até a última atualização.
Um dos pontos que chamou a atenção da Polícia Federal foi uma viagem de Flávia ao Chile entre os dias 3 e 6 de setembro de 2025, período em que deveria estar trabalhando na Alerj. Durante esses dias, o celular dela registrou presença em Santiago, e não havia registro de férias ou afastamento formal.
Os investigadores também identificaram que Flávia passava boa parte do tempo fora do Rio, especialmente na cidade de Vitória, no Espírito Santo. Em depoimento à Polícia Federal, Flávia afirmou morar na capital capixaba há anos, mas quando questionada sobre a frequência na Alerj, disse que ia todos os dias que estava no Rio.
A suspeita de que Flávia não exercia efetivamente o cargo na Alerj foi reforçada por mensagens analisadas pelos investigadores. Em uma conversa com o marido, Flávia escreveu que não tinha emprego fixo, justificando que morava em dois estados para acompanhar o marido.
“”Não tenho um emprego fixo porque moro em dois estados pra acompanhar meu marido e cuidar dele”, escreveu Flávia.”
A declaração contrasta com o fato de que ela estava formalmente nomeada na Alerj. A investigação aponta que isso pode caracterizar improbidade administrativa e indicar que a nomeação ocorreu por influência da relação entre Macário Neto e Rodrigo Bacellar.
Flávia foi exonerada do cargo cerca de três meses após a mensagem. Outro elemento analisado no inquérito são mensagens trocadas entre Flávia e o então diretor-geral da Alerj, Marcos Brito, que afirmou que a nomeação de Flávia foi uma indicação pessoal.
“”Se entrarem na questão da Alerj a gente pode dizer que foi minha indicação pessoal para formação de equipe e por isso sempre esteve lotada na diretoria geral. E nunca na presidência”, escreveu Brito.”
Em outra mensagem, enviada a uma amiga, Flávia afirmou:
“”Coitado do DG (diretor geral). Nem me conhecia”,”
referindo-se ao diretor.


