O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta terça-feira (19) a atuação da autoridade monetária no caso Banco Master e afirmou que o BC enfrenta limitações estruturais, tecnológicas e de pessoal para supervisionar o sistema financeiro.
Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Galípolo destacou que o Banco Central agiu rapidamente diante das suspeitas envolvendo o Banco Master, identificando uma potencial fraude em três meses e encaminhando informações ao Ministério Público em seis meses. Ele ressaltou que o problema principal não estava apenas na oferta de CDBs com juros altos, mas no uso dos recursos captados.
O presidente da CAE, senador Renan Calheiros, afirmou que o caso expôs brechas legais, cegueira fiscalizatória deliberada e apadrinhamentos políticos e institucionais. Renan pediu maior transparência nas investigações e o compartilhamento de informações entre órgãos como o BC, STF, Polícia Federal, Ministério Público e CGU.
Dois ex-diretores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, foram afastados por decisão do STF após investigação da Polícia Federal indicar que prestavam consultoria informal ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master. Galípolo informou que o BC perdeu cerca de 1,2 mil servidores nos últimos dez anos e terá novas aposentadorias em 2026, o que reforça a necessidade de investimentos em tecnologia e inteligência artificial para a fiscalização.
Galípolo alertou que, sem reforço de pessoal e recursos, o Banco Central poderá ter que priorizar apenas instituições consideradas de maior risco sistêmico. Ele também defendeu a governança colegiada como forma de prevenção a eventos como o caso Master.


