A fronteira de Foz do Iguaçu, no Paraná, tornou-se um ponto central para o contrabando de canetas e ampolas emagrecedoras. A Receita Federal aponta que a apreensão desse tipo de mercadoria cresceu cerca de 1.000% em um ano, atingindo 79.837 unidades entre janeiro e maio deste ano.
O aumento do fluxo ilegal é estimulado pelo preço, visto que as canetas são adquiridas no Paraguai com 69% de desconto. As apreensões dispararam após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibir a entrada de certas marcas no Brasil. Cezar Vianna, chefe da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu, declarou que o incremento de 1.000% nas apreensões é “totalmente atípico”.
Os produtos apreendidos são majoritariamente ampolas com princípios ativos, que podem ser facilmente ocultadas em diversos locais, como potes de doce de leite argentino ou dutos de ar-condicionado de ônibus. A rede de contrabandistas utiliza variados veículos, incluindo carros de luxo e motocicletas, para cruzar a fronteira.
Além das redes organizadas, servidores da Receita Federal abordam famílias que cruzam a fronteira para trazer os remédios para consumo próprio ou comercialização. Um carregamento de 50 ampolas custa cerca de R$ 9 mil no Paraguai, mas o preço pode dobrar ao entrar no Brasil. A Receita Federal calcula apreender cerca de 5% do volume, e os itens retidos são enviados para destruição em Goiás.


