O Conselho Nacional de Direitos Humanos protocolou representação no Ministério Público Federal para investigar o uso de discurso de ódio em alertas falsos emitidos por um sistema da Defesa Civil. A medida foi tomada após o disparo indevido de mensagens extremas na madrugada, que atingiram milhões de celulares em várias regiões do país.
Os alertas, que não seguiram o padrão operacional, continham a palavra “misantropia”, termo que significa aversão à humanidade. O Conselho também solicitou que a Defesa Civil emita uma “mensagem de contraordem” pelo mesmo canal. O objetivo é esclarecer a população de que o disparo não possui posicionamento institucional e que a apologia ao ódio viola direitos humanos e constitui crime.
Para o CNDH, a plataforma de comunicação em massa da Defesa Civil, vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, foi usada indevidamente, gerando potencial de pânico social e desinformação. A presidente do CNDH, Ivana Leal, declarou que o crescimento do discurso de ódio representa uma ameaça à convivência democrática. Ela afirmou que qualquer uso de canais públicos para estimular hostilidade deve ser tratado com máxima seriedade.
A apuração deve abranger a origem, redes de influência e conexões com a radicalização digital. Paralelamente, a Polícia Federal já abriu investigação preliminar para apurar o envio dos alertas, que teriam sido provocados por um ataque hacker ao sistema da Defesa Civil.

