Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que um executivo, ex-sócio de um indivíduo envolvido em investigações, procurou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, para explicar os termos da compra do Banco Master pelo BRB. O executivo enviou a mensagem a Wagner, afirmando: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.
A comunicação ocorreu em 29 de março de 2025, um dia após o BRB anunciar que seu conselho de administração aprovou por unanimidade a aquisição do Banco Master. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, ao autorizar a nova fase das investigações, disse que a frase do executivo sugere que Jaques Wagner não era um destinatário passivo de informações, mas sim um interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado.
Segundo Mendonça, o executivo atuou como canal de interlocução com Wagner sobre assuntos prioritários do Banco Master. Ele encaminhou notícias sobre rating, estrutura acionária, a CPI do Banco Master e a operação com o BRB, que havia sido barrada pelo Banco Central em setembro do ano anterior. A Polícia Federal informou que a relação entre Wagner e o executivo era marcada por elevado grau de confiança pessoal, o que teria criado ambiente para tratativas reservadas em defesa de interesses privados do Banco Master.
A investigação apurou indícios de que Jaques Wagner recebeu pagamentos do Master durante anos pela empresa da nora. Além disso, ele viajou com frequência nos jatos de um dos envolvidos e recebeu um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões. A PF relatou que as tratativas sobre a aquisição do imóvel do empreendimento Poème Horto, em Salvador, continuaram mesmo após o início das investigações.

