A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (25) a Operação Última Parada, que investiga lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público. Foram expedidos cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca e apreensão. Até o momento, três suspeitos foram presos, entre eles o vereador Senival Moura (PT) e o presidente da Transunião Transportes S.A., empresa que opera 51 linhas e transporta 389 mil passageiros por dia na capital.
A ação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo as investigações, a Transunião era usada como engrenagem de lavagem de dinheiro do PCC, com um núcleo paralelo que autorizava transferências para criminosos. A fraude incluiu a elevação fraudulenta do capital social de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões para vencer licitações da prefeitura.
O inquérito teve origem no assassinato do ex-presidente da empresa, executado em 2020. Documentos do PCC indicam que o crime foi ordenado por suspeita de desvios de valores destinados ao ‘caixa dois’ de campanha do vereador. Após a morte, a facção teria nomeado novos diretores para garantir o fluxo financeiro. A Justiça determinou o afastamento imediato de todos os diretores e o sequestro de R$ 194 milhões em contas, 117 veículos, 21 imóveis e 3 embarcações.
O esquema tem ligações com outras investigações, como a Operação Mafiusi, que expôs conexões entre o PCC e a máfia italiana ‘Ndrangheta. Em 2024, o Gaeco já havia desarticulado grupos suspeitos de lavagem de dinheiro envolvendo outras empresas de ônibus, que juntas receberam mais de R$ 800 milhões da prefeitura em 2023. A SPTrans foi notificada para garantir a continuidade do serviço de transporte.

