Nos primeiros quatro meses de 2026, o Brasil registrou 115.814 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A maioria das vítimas é do sexo feminino, e a residência da vítima e do suspeito permanece como o principal local de ocorrência das agressões.
Os dados foram apresentados na Comissão de Direitos Humanos (CDH) durante a segunda audiência pública de avaliação do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes. A senadora Damares Alves, presidente da comissão, afirmou que os casos notificados representam menos de 10% da realidade, classificando a situação como uma “epidemia” de abuso sexual.
A Coordenadora-geral de Enfrentamento às Violências da Secretaria Nacional do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Célia Carvalho Nahas, informou que o governo federal planeja entregar cinco planos nacionais de políticas contra a violência atualizados e consolidar duas novas políticas até o final do ano. Ela declarou que é necessário um “coletivo” para pensar a proteção das crianças em todos os territórios.
Em São Paulo, a secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Leila Cristina Pereira da Silva, relatou que em 2025 foram registrados 3.183 casos no estado. Ela explicou que o abuso sexual corresponde a 90% desses casos, sendo os homens, pais, os principais agressores. A violência também abrange tortura, tráfico de seres humanos e trabalho infantil.

