A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange nesta sexta-feira (3) para investigar uma estrutura de lavagem de dinheiro que movimentou até R$ 10,3 bilhões. O grupo, segundo a 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, prestava serviço para ocultar origem de valores ilícitos, atuando desde o tráfico internacional de drogas até o contrabando de alho argentino.
A investigação, que resultou na expedição de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra 13 investigados, determinou o sequestro de bens e criptoativos até o montante total de R$ 10,4 bilhões. O inquérito teve início em outubro de 2023, após a apreensão de celular de um indivíduo na Flórida, cujas informações foram repassadas à PF pelo Homeland Security Investigations dos Estados Unidos.
O esquema criminoso utilizou diversas frentes. Um dos pontos centrais foi um ataque hacker contra o programa de fidelidade do Grupo Ultra, que gerou um desvio superior a R$ 206 milhões. Outra frente envolvia o comércio irregular de alho argentino, negociado por um dos investigados com fornecedores da região de Mendoza.
A estrutura financeira era complexa. A empresa Hi Quality, sem funcionários registrados, foi mencionada em 645 comunicações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, somando R$ 29,3 bilhões. Além disso, a operação apurou ligações do grupo com um ex-delegado da cúpula da segurança pública paulista, que teria recebido um suposto repasse de propina.

