O Ministério Público Federal acompanhou, na última quinta-feira (09/07), a segunda etapa do recolhimento de acervo histórico no antigo Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio. A ação, determinada judicialmente, visa preservar documentos de grande relevância para a memória nacional, incluindo registros de agentes das ditaduras.
O acervo do antigo IML, um dos maiores conjuntos documentais do Estado do Rio de Janeiro, reúne cerca de 440 mil itens iconográficos e aproximadamente três mil metros lineares de documentos produzidos pela Polícia Civil entre as décadas de 1930 e 1960. Parte desse material pode conter informações que auxiliem na investigação de desaparecimentos políticos e violações de direitos humanos durante a ditadura militar.
A retirada ocorre em parceria com o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e outras entidades. A primeira fase, realizada em maio, focou em livros de registro de entrada e saída de corpos e registros de óbitos das décadas de 1960, 1970 e 1980.
A intervenção do MPF iniciou-se após uma inspeção realizada em 2025, que constatou que os documentos estavam em condições precárias, expostos à umidade, infiltrações e janelas quebradas. Segundo o procurador da República Julio Araujo, o recolhimento prosseguirá até que todo o material esteja protegido e disponível para pesquisadores e sociedade.

