Um advogado especialista em planejamento sucessório defende que a recusa de herdeiros em assumir empresas familiares não indica fracasso, mas aponta para a necessidade de uma nova estrutura de gestão. A sugestão visa blindar o patrimônio contra disputas e garantir a continuidade do negócio.
Rodrigo Gonçalves Pimentel, advogado com atuação em planejamento sucessório e proteção patrimonial, afirma que a culpa não deve ser o foco das conversas familiares. Segundo o especialista, a falha ocorre na ausência de uma estrutura que permita aos herdeiros usufruir do patrimônio sem a obrigação de trabalhar diretamente no negócio. Ele propõe que o conceito de legado seja redefinido.
Para o advogado, legado não deve ser sinônimo de obrigar os herdeiros a assumir a cadeira do fundador. A meta é garantir que o patrimônio continue gerando riqueza para a família, independentemente de quem o administre. Essa mudança separa o direito de receber do dever de trabalhar, permitindo que um filho, por exemplo, continue na área médica, mas mantenha participação societária e voto estratégico.
Pimentel alerta que o risco maior reside no herdeiro despreparado que assume o comando por pressão. Ele compara a gestão a qualquer contratação de mercado, exigindo avaliação de competência, metas claras e prazos definidos. Adiar essa organização gera custos altos, como impostos de transmissão e desgaste familiar, visto que em 2022, menos de 2,5% das sucessões no país possuíam instrução formal.

