Um projeto em tramitação no Senado pode elevar o custo da energia elétrica brasileira em até R$ 1,5 trilhão entre 2027 e 2057. As mudanças, incorporadas durante a tramitação, obrigam a contratação de novas usinas termelétricas e pequenas hidrelétricas, gerando o impacto financeiro.
A proposta, inicialmente focada em ampliar descontos para atividades como irrigação e aquicultura, teve dispositivos alterados pela comissão de serviços de infraestrutura do Senado. O relator Hermes Klann incorporou regras que determinam a contratação obrigatória de novas fontes de geração elétrica, o que entidades do setor classificam como mudanças sem relação direta ao tema original.
O maior peso financeiro reside na contratação de usinas termelétricas a gás natural na Região Norte, medida que sozinha pode gerar um custo acumulado de aproximadamente R$ 902,5 bilhões. Adicionalmente, o projeto prevê a contratação de 2,5 gigawatts de termelétricas com operação mínima obrigatória de 70%, somando cerca de R$ 301 bilhões.
Outro fator de custo é a previsão de 4,9 gigawatts de pequenas centrais hidrelétricas, o que adicionaria cerca de R$ 255 bilhões ao sistema. Somados, esses itens elevam o impacto para aproximadamente R$ 1,46 trilhão. As usinas a gás natural geram eletricidade pela queima do combustível, e especialistas apontam que a exigência de operação contínua eleva o valor da energia.
O texto já chegou ao Plenário do Senado, mas ainda pode ser analisado pelas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Constituição e Justiça (CCJ), o que pode levar a novas alterações antes de uma eventual aprovação.


