O número de homicídios de povos indígenas aumentou 22% no ano passado, conforme dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O relatório também registrou um crescimento de 11% nas mortes de crianças de zero a quatro anos nas aldeias brasileiras.
O Cimi contabilizou doiscentos e cinquenta e oito assassinatos em 2024, comparado a cento e onze casos registrados em 2023. A entidade também identificou mil e vinte e sete casos de violência contra o patrimônio indígena. O documento relaciona o aumento de violações territoriais e humanas à vigência da Lei do Marco Temporal, à estagnação de processos demarcatórios e à atuação de setores do agronegócio e da mineração ilegal.
O Ministério da Justiça informou que, desde 2023, foram homologadas vinte terras indígenas, somando três vírgula dois milhões de hectares. A pasta também mencionou a realização de operações de retirada de invasores em doze terras indígenas. Contudo, o Cimi aponta que o Judiciário e o Congresso Nacional enfraquecem garantias constitucionais por meio de mesas de conciliação e da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que fixou o marco temporal.
Em relação às mortes infantis, o Cimi avalia que quinhentos e oitenta e seis dos mil e vinte e quatro casos foram causados por enfermidades evitáveis. Roraima registrou o maior número de homicídios, com oitenta e dois casos, seguido pelo Amazonas, com quarenta e sete. A organização também registrou duzentos e quinze suicídios de indígenas no último ano.


