Organizações de proteção a menores defenderam a suspensão de recursos de vídeo no Discord, determinada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A medida ocorre após a morte de uma adolescente de 13 anos em um servidor privado da plataforma. A decisão visa adequar o ambiente virtual aos mandamentos do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital.
As entidades, incluindo Childhood Brasil e Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, consideram a restrição proporcional ao risco. Segundo a nota, a suspensão foca em uma funcionalidade específica, sem bloquear o serviço inteiro. A retomada dos vídeos depende da comprovação pelo Discord de que a empresa implementará salvaguardas para detectar crimes em seu espaço virtual.
A ANPD baseou sua decisão em uma nota técnica, apontando que a adoção da criptografia de ponta a ponta pelo Discord desde março tornou o produto “menos protetivo”. Essa mudança impede que sistemas automatizados identifiquem sinais de violência ou suicídio durante transmissões ao vivo. A agência exige controles substitutivos se a criptografia inviabilizar a detecção.
O Discord comunicou que suspendeu os recursos em cumprimento à determinação, embora tenha dito anteriormente que não conseguiria cumprir o prazo inicial. A empresa afirmou dialogar com a ANPD buscando uma solução e ressaltou que a rede social segue disponível, sem afetar mensagens de texto ou áudio.


