Oito dos dez municípios mais populosos de Alagoas possuem gestores que apoiam Arthur Lira e Renan Calheiros. Os políticos, que competem por duas vagas no Senado, recebem manifestações conjuntas de prefeitos, vereadores e deputados.
A convergência de apoio ocorre no interior do estado. Em cidades como Arapiraca, Rio Largo, Palmeira dos Índios, União dos Palmares, Penedo, São Miguel dos Campos, Delmiro Gouveia e Coruripe, os gestores alinham-se publicamente aos dois adversários. A exceção notável é Maceió, onde o prefeito Rodrigo Cunha, do Podemos, apoia o grupo de João Henrique Caldas, principal rival de Renan Filho na disputa pelo governo.
A professora de Ciência Política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas, explica que essa situação reflete um pacto informal entre os grupos. A lógica, segundo ela, foca na preservação de espaços de poder. Com ambos no Senado, os prefeitos podem buscar recursos e obras em Brasília junto a qualquer um dos grupos.
A convivência política se mostra clara em Arapiraca. O prefeito Luciano Barbosa, do MDB, anunciou pavimentação de ruas ao lado de Arthur Lira em maio. Posteriormente, Renan Filho indicou Yale Fernandes, ex-vice de Célia Rocha, para seu vice na disputa pelo governo. O cenário difere da capital, onde a disputa pelo governo é mais concentrada e o eleitorado está mais envolvido.
Apesar do apoio mútuo no Senado, Lira e Renan mantêm um histórico de conflitos. Em 2023, os dois protagonizaram disputas sobre indicações para o Tribunal Superior do Trabalho e sobre um acordo de indenização de R$ 1,7 bilhão negociado com a Braskem em Maceió.


