O Ministério Público de Goiás (MP-GO) deflagrou, nesta quarta-feira (26), a Operação Safra Oculta para desarticular um esquema de sonegação fiscal no comércio interestadual de grãos. A ação cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão em Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e Bahia.
A apuração identificou o uso de empresas de fachada, conhecidas como “noteiras”, e laranjas para ocultar os reais beneficiários das operações e evitar o recolhimento de ICMS. Segundo o promotor de Justiça Denis Bimbate, da 59ª Promotoria de Goiânia, as organizações contam com suporte contábil especializado para esconder a produção de grãos do Estado de Goiás e lavar dinheiro.
Duas das principais empresas investigadas acumulam R$ 90 milhões em débitos de ICMS não pagos. Uma delas movimentou quase R$ 200 milhões em curto período. Bimbate classificou a fraude como bilionária, afirmando que o prejuízo causado pela sonegação fiscal no país é sete vezes maior do que o proveniente da corrupção.
Entre os investigados estão três profissionais da contabilidade suspeitos de estruturar o esquema. A investigação aponta que as empresas noteiras chegavam a comprar CNPJs antigos para evitar que o fisco detectasse a criação de novas firmas voltadas exclusivamente à fraude, além de manterem filiais em outros estados para simular solidez financeira.
O promotor explicou que o produtor rural é o beneficiário final do esquema, utilizando agenciadores para realizar a lavagem de capitais e blindar seu nome. O material apreendido passará por análise técnica para a apresentação de denúncias formais dentro do prazo legal.
A operação contou com apoio da Secretaria de Estado da Economia de Goiás, das Polícias Civil e Militar, além de grupos de combate ao crime organizado e à sonegação fiscal do MP-GO e de Ministérios Públicos de Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso e Bahia.

