Especialistas em saúde afirmam que o uso de papel higiênico não representa um risco significativo para a saúde geral da população, apesar da detecção de substâncias químicas em algumas marcas. Segundo médicos, a exposição a esses compostos é pequena quando comparada a fontes como embalagens de alimentos, produtos de limpeza e tecidos.
Um estudo de 2023 identificou a presença de substâncias per e polifluoroalquil (PFAS), conhecidas como “químicos eternos”, em 21 marcas de papel higiênico ao redor do mundo. Outra pesquisa realizada em Gana, em 2019, encontrou níveis elevados de ftalatos, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e compostos orgânicos clorados semi-voláteis, substâncias associadas a problemas reprodutivos e câncer.
A oncologista Julia Saylors explica que a pele das regiões genital e anal é mais fina e absorvente do que a de outras partes do corpo, o que torna a área mais sensível a substâncias químicas. No entanto, o chefe de oncologia radioterápica da Luminis Health, Amar Rewari, afirma que as quantidades encontradas em produtos de consumo são muito pequenas para estarem claramente ligadas ao câncer.
Sobre o papel reciclado, alguns pesquisadores alertam para a possibilidade de contaminação por BPA, proveniente de jornais ou recibos de caixa. Rewari afirma que os níveis detectados são geralmente baixos e que a relevância clínica desses achados ainda é incerta. O médico também esclarece que a maioria dos produtos atuais utiliza branqueamento livre de cloro elementar (ECF), o que reduz drasticamente a formação de dioxinas.
A dermatologista Hannah Kopelman relata que pacientes frequentemente confundem irritações causadas pelo papel higiênico com candidíase ou eczema. Segundo a médica, a troca por opções sem fragrância e não branqueadas costuma resolver o problema rapidamente. A alergista Meagan Shepherd acrescenta que lenços umedecidos podem conter conservantes que causam sensibilização em cerca de 10% dos casos de alergia de contato na América do Norte.
Alok Khorana, professor de medicina da Case Western Reserve University, concorda que a exposição via papel higiênico é menor do que a via ingestão de água e alimentos. Ele defende, porém, que a questão merece mais investigações para entender se a exposição a substâncias como o PFAS possa ser carcinogênica.

