O Senado que toma posse em fevereiro de 2027 deve ter um perfil mais oposicionista, mas a bancada contrária ao governo não terá votos suficientes para afastar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo levantamento baseado em pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a oposição pode chegar a 43 senadores, número insuficiente para atingir os 54 votos exigidos para processos de impeachment.
A projeção indica que a bancada de oposição saltaria dos atuais 34 para 43 parlamentares, garantindo a maioria absoluta da Casa, que é de 41 votos. Com esse volume, o grupo teria controle da Mesa Diretora, da presidência de comissões e poder para barrar indicações do Executivo para agências reguladoras e embaixadas. Os governistas, por outro lado, devem somar 29 cadeiras.
Mesmo em um cenário hipotético onde todos os senadores considerados “flutuantes” votassem com a oposição, o total chegaria a 52 votos. O número permanece dois votos abaixo do quórum de dois terços necessário para condenar autoridades ou ministros da Suprema Corte. Para a aprovação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs), são necessários 49 votos, patamar que também ficaria distante da contagem projetada.
O Partido Liberal (PL) aparece como a sigla com maior número de candidatos competitivos nas disputas, com 11 filiados liderando ou empatados tecnicamente em primeiro lugar nos Estados. O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) segue com oito candidatos em posição de destaque, enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) possui sete. Somando-se os mandatos que seguem até 2031, o PL deve alcançar 20 senadores em 2027, contra 10 do PT.
Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito em outubro, o Senado projetado tende a ser o mais hostil ao governo desde o início de seu atual mandato. A perda de musculatura para aprovar indicações e a necessidade de negociar concessões mais amplas com partidos de centro e direita dificultariam a agenda do Planalto. Maiorias simples também facilitariam a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), como as do Banco Master e do Lulinha.


