Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, destinou US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 65 milhões) para o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Os dados constam em inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura repasses ao exterior.
A apuração indica a existência de um novo repasse de US$ 1,6 milhão, realizado em setembro de 2025. Com esse pagamento, chega a sete o total de parcelas reconhecidamente pagas por Vorcaro. O dinheiro foi enviado ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, fundo indicado pelo senador Flávio Bolsonaro para concluir a produção do longa.
A descoberta contradiz declarações anteriores do senador Flávio Bolsonaro, que afirmou em entrevista à imprensa que o último repasse de Vorcaro teria ocorrido em maio de 2025. Mensagens de WhatsApp trocadas com o publicitário Thiago Miranda sugerem, ainda, a existência de outro pagamento em 22 de outubro de 2025, data em que Vorcaro teria liberado uma nova parcela.
O ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025. O cronograma de pagamentos identificados inclui transferências de US$ 2 milhões em fevereiro e março, além de cinco parcelas de US$ 1,66 milhão entre março e setembro de 2025.
A Polícia Federal investiga a utilização do fundo americano para receber recursos de um filme produzido no Brasil. A análise foca em possíveis irregularidades em transferências internacionais e suspeitas de evasão de divisas. Há também a hipótese de que a verba tenha sido usada para despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O fundo está registrado em nome de um advogado de imigração próximo ao ex-deputado. O Coaf informou que não comenta casos concretos. A assessoria de Flávio Bolsonaro e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram sobre as informações.

