Os Estados Unidos pediram, nesta quarta-feira (2), que parceiros internacionais encerrem operações habituais e rompam vínculos com a Nicarágua. A convocação foi feita pelo secretário de Estado, Marco Rubio, após a Assembleia Nacional nicaraguense aprovar, por unanimidade, uma reforma constitucional que proíbe a participação de opositores nas eleições.
Em comunicado, Rubio classificou o governo de Daniel Ortega e de sua esposa, Rosario Murillo, como uma “brutal ditadura”. O secretário afirmou que regimes que negam direitos inalienáveis aos cidadãos não devem ter os mesmos benefícios econômicos ou políticos de governos comprometidos com a paz e a segurança hemisférica.
A emenda aprovada na terça-feira (1) altera o mandato presidencial de seis para sete anos, permitindo prorrogação. O texto exclui do processo eleitoral quem tenha participado de atos golpistas, cometido traição à pátria ou solicitado intervenção militar. O líder governista Gustavo Porras já havia antecipado que a medida barraria quem fosse considerado traidor por Ortega.
Daniel Ortega, de 80 anos, e Rosario Murillo, de 75, exercem controle absoluto sobre a sociedade desde a repressão a protestos em 2018, que deixou cerca de 300 mortos, segundo a ONU. Desde então, jornalistas, intelectuais, religiosos e opositores foram presos, forçados ao exílio ou perderam a nacionalidade e bens.
Washington intensificou a pressão diplomática e econômica sobre Manágua nos últimos meses, aplicando sanções a figuras do regime. O governo de Donald Trump informou que continuará implementando ações contra violações de direitos humanos, inclusive por meio da Organização dos Estados Americanos (OEA).
A OEA, que em julho declarou que a Nicarágua abandonou a democracia, realiza uma reunião do Conselho Permanente nesta quinta-feira (3). O objetivo é definir a data e o local de um encontro urgente entre chanceleres da região, após mobilização de Washington e aliados latino-americanos.


