Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, revelaram que ele mantinha contato com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo, divulgado nesta terça-feira (1º), indica que Vorcaro teria sabido de sua prisão antes da decisão oficial, ocorrida em 17 de novembro.
As conversas foram tornadas públicas após o ministro André Mendonça solicitar a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre um documento da PF. Segundo Mendonça, os diálogos comprovam que o ex-banqueiro buscava intervenção junto a autoridades públicas para salvar o Banco Master e monitorar investigações de fraudes. Não há confirmação se Moraes respondeu às mensagens.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da PF, alegando que Mendonça utilizou a polícia para impor uma investigação de Moraes. Gonet afirmou que o magistrado excedeu os limites de competência ao realizar investigações pré-processuais sem pedido do Ministério Público. O nome de Gonet também aparece em mensagens de Vorcaro de março de 2025.
O presidente do STF, Edson Fachin, declarou nesta quarta-feira (2) que tomará as medidas cabíveis após as revelações. Fachin afirmou que a autoridade do cargo impõe deveres e responsabilidades que devem respeitar a Constituição e a corte, embora não tenha citado nominalmente os ministros envolvidos.
A ala bolsonarista do Congresso e o senador Flávio Bolsonaro (PL) voltaram a cobrar a abertura de processo de impeachment contra Moraes, que não se manifestou até a tarde desta quarta. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), informou que existem 109 solicitações de impeachment contra ministros do STF e que não considera esse número normal.
O julgamento de crimes de responsabilidade que podem levar à perda do cargo de ministros do STF é de competência do Senado. Já as ações penais contra magistrados da corte são deliberadas no plenário do Supremo, com a participação de todos os 11 ministros.


