O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, recebeu uma degustação de caviar em um hotel de luxo em São Paulo, em abril de 2026, paga por um advogado suspeito de ligação com a empresa Refit. As informações constam em relatório da Polícia Federal (PF) tornado público nesta quinta-feira (3) por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, Castro solicitou a compra de diferentes tipos de caviar que totalizaram R$ 10,5 mil, com entrega no Hotel Emiliano. Mensagens de celular mostram o ex-governador pedindo variedades como Imperial, Beluga Siberian e Golden. O pagamento foi realizado via Pix pela empresa AC Santos Participações e Empreendimentos, de propriedade do advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo.
A investigação aponta que Pipo, ex-assessor do ex-deputado Domingos Brazão, seria figura central em um esquema de branqueamento de capitais no alto escalão do governo do Rio. Os recursos teriam sido pagos por Ricardo Magro, da Refit, para garantir interesses da empresa. O relatório afirma que a quitação de despesas privadas do ex-governador por terceiros reforça os indícios de lavagem de dinheiro.
A PF lista outros benefícios recebidos por Castro, incluindo a reforma de uma cobertura na Barra da Tijuca e a construção de uma adega avaliada em R$ 245 mil em uma casa em Petrópolis. Os investigadores afirmam que Castro supervisionou as obras, embora não figurasse como proprietário dos imóveis. A apuração sugere a existência de um canal direto entre o ex-governador e o Grupo Refit para influenciar decisões governamentais.
Em nota, a defesa de Cláudio Castro negou participação em esquema de lavagem de dinheiro ou recebimento de vantagens indevidas. Sobre o caviar, afirmou que a encomenda foi feita por um amigo e que o ex-governador apenas retirou os produtos, consumindo um deles com autorização. A defesa declarou ainda que não há ligação entre a compra e os imóveis com a Refit.


