A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) criticou, nesta quinta-feira (3), a proposta do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de retirar delegados da corporação dos gabinetes dos ministros da Corte, classificando a medida como lamentável.
O presidente da entidade, Edvandir Paiva, afirmou em nota que os profissionais atuam nos gabinetes devido à expertise e ao conhecimento técnico da atividade de delegado. Para a associação, os policiais não podem ser responsabilizados pelos problemas enfrentados atualmente pelo tribunal.
A sugestão de Gilmar Mendes foi encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin. A medida atingiria os gabinetes de André Mendonça, Alexandre de Moraes e Luiz Fux, onde delegados da PF exercem funções atualmente.
A discussão ocorre durante crise interna provocada por investigações sobre o Banco Master e tensão entre o ministro André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal. A ADPF defende que o auxílio especializado é salutar, pois magistrados não dominam todos os ramos das situações que apreciam.
Segundo a associação, esse suporte técnico é tradicionalmente promovido por delegados, juízes auxiliares e advogados da União para melhorar a compreensão de investigações policiais.
O STF informou que esses profissionais realizam atividades de assessoramento. A Corte ressaltou que o trabalho nos gabinetes não se confunde com as atribuições próprias da Polícia Federal, como a condução de investigações ou a prática de atos de polícia judiciária.


