Um tribunal de Moscou impôs, nesta quinta-feira (3), toque de recolher e bloqueio de comunicações à diretora de um centro de cuidados paliativos infantil. Lida Moniava, de 38 anos, foi acusada de espalhar informações falsas sobre o exército russo por causa de uma publicação feita em 2023 em uma rede social.
A fundadora da instituição de caridade foi presa na quarta-feira. Segundo o advogado Mikhail Biryukov, a detenção ocorreu devido a um post no Telegram, publicado no primeiro aniversário da guerra, que mencionava dados da ONU sobre milhares de vítimas civis no conflito.
A decisão judicial proíbe Moniava de sair de casa entre as 20h e as 8h, de acessar a internet e de contatar testemunhas do processo. As restrições permanecem vigentes, no mínimo, até 30 de outubro, conforme comunicado do judiciário da capital russa.
Dezenas de apoiadores compareceram ao tribunal e comemoraram a libertação da diretora sem a necessidade de prisão preventiva. Após a audiência, Moniava afirmou que investigadores passaram horas tentando convencê-la a declarar-se culpada, mas disse que não se sente assim e que deseja o fim rápido da guerra.
A Anistia Internacional classificou a prisão como uma tentativa das autoridades de reprimir expressões anti-guerra. Moniava também fundou um fundo para crianças doentes que, até recentemente, prestava auxílio a refugiados ucranianos na Rússia.
Desde o início da ofensiva em fevereiro de 2022, a polícia russa deteve milhares de pessoas que se manifestaram contra a guerra.


