O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta articular a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 após o primeiro turno das eleições. O texto não foi votado no plenário do Senado na última semana de votações antes do pleito, apesar de ter sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A cúpula do Congresso, representada pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), avalia que a medida pode ser usada como trunfo político por Lula em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Alcolumbre informou ao senador Paulo Paim (PT-SE) que a proposta será votada após as eleições.
Senadores ligados a Flávio Bolsonaro adotaram a estratégia de esvaziar o plenário para impedir que a PEC tivesse quórum para avançar, evitando assim o desgaste eleitoral de votar abertamente contra a medida, que possui forte apelo popular. O senador Rogério Marinho (PL-RN) chegou a apresentar uma proposta alternativa para tentar mudar a rota do debate.
Do lado do governo, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, o líder no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), e a líder no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), evitaram criticar a falta de votação. A reunião anterior entre Lula, Motta e Alcolumbre previa apenas a tramitação na CCJ, etapa que foi cumprida.
A proposta estabelece que a jornada normal de trabalho não pode exceder oito diárias e 40 horas semanais, permitindo compensações via acordo ou convenção coletiva. Atualmente, o limite é de 44 horas semanais, distribuídas em seis dias. A PEC também define dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um preferencialmente aos domingos.
O texto já havia sido aprovado pela Câmara em maio, mas permaneceu travado no Senado devido ao distanciamento entre Lula e Alcolumbre. A relatoria da matéria ficou sob a responsabilidade do senador Omar Aziz (PSD-AM) após a reaproximação entre o presidente e o presidente do Senado.


