O Ministério Público de São Paulo denunciou os empresários Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica nesta quinta-feira (4). A ação faz parte da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado no setor de combustíveis.
Segundo o MP, os dois empresários lideravam a organização, que adulterava combustíveis em postos e utilizava refinarias e fintechs para esconder a origem do dinheiro. Roberto Leme, conhecido como Beto Louco, é apontado como um dos principais financiadores do grupo, utilizando a empresa Aster, que teve as licenças cassadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Ambos seguem foragidos.
A apuração indica que empresas de fachada movimentavam quantias bilionárias por meio de contas de pagamento em fintechs. O grupo utilizava as chamadas contas bolsão para camuflar a origem e o destino dos recursos e burlar a fiscalização do Sistema Financeiro Nacional. O dinheiro era posteriormente destinado a fundos de investimento em gestoras localizadas na Faria Lima.
Entre 2020 e 2024, cerca de mil postos vinculados à facção movimentaram R$ 52 bilhões. Mohamad Hussein Mourad, o Primo, estaria à frente da organização que usava empresas do setor para fraudes fiscais e ocultação de patrimônio, formando uma rede com parentes e sócios.
Mourad se apresentava no LinkedIn como CEO da G8LOG, empresa de transporte de cargas perigosas, e consultor do grupo Aster/Copape. Roberto Leme atuava como colíder, sendo o responsável pela gestão das empresas Copape e Aster, via as quais ocorriam as fraudes e a lavagem de dinheiro.
Na semana passada, o Ministério Público já havia apresentado denúncia contra 16 pessoas, incluindo os dois empresários, pelo crime de organização criminosa. A nova denúncia apresentada nesta quinta-feira foca especificamente no escoamento dos valores ilícitos.


