O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta sexta-feira (4), dois projetos de lei que permitem a criação de fundos especiais para a Justiça Federal e o Ministério Público Federal. A medida possibilita que ambos os órgãos realizem gastos acima do teto estabelecido.
A cerimônia ocorreu em meio a uma crise no Supremo Tribunal Federal (STF), iniciada na última terça-feira (1º), após a divulgação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, participou do evento ao lado do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
As mensagens foram reveladas após o ministro André Mendonça determinar a retirada do sigilo de uma ação sobre a investigação de Vorcaro. Em registros de novembro de 2025, o banqueiro questiona se deveria deixar o país antes de uma eventual prisão e pede que Moraes tente sensibilizar Rodrigues e Gonet para adiar ações da Polícia Federal.
Mendonça informou que se reuniu com Vorcaro em março de 2025 para tratar da Suspensão de Tutela Provisória 976. O ministro deve entregar o relatório sobre o caso nos dias 7 ou 8 de setembro e solicitou uma sessão do plenário para analisar se Alexandre de Moraes deve ser investigado.
A equipe de campanha do presidente prepara uma reação política às revelações, mas não há expectativa de que Lula se manifeste sobre o caso. Aliados do governo argumentam que a tentativa de ligar o presidente ao ministro Moraes é equivocada, sugerindo que a mesma lógica poderia associar André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, ao PL.
Também estiveram presentes no evento o advogado-geral da União, Jorge Messias, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Luis Felipe Salomão, além de representantes de tribunais regionais e associações judiciais.


