A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta sexta-feira (4), uma resolução que incentiva a substituição do mapa-múndi de Mercator por representações que indiquem com maior precisão o tamanho da África e de outras regiões. A proposta foi aprovada com 164 votos a favor, seis abstenções e um voto contrário, dos Estados Unidos.
A medida faz parte de um conjunto de iniciativas da organização para combater o legado da escravidão, do colonialismo e da discriminação racial. Embora as resoluções da ONU não tenham cumprimento obrigatório, a decisão deve impactar currículos escolares e tecnologias. A França informou, em comunicado nesta sexta-feira, que abandonará os mapas que utilizam a projeção de Mercator.
Nos últimos dois anos, a ONU intensificou discussões sobre reparações por injustiças históricas. Em dezembro de 2024, a Assembleia Geral proclamou a Segunda Década Internacional para Pessoas de Ascendência Africana (2025-2034). A iniciativa foi proposta pelo Brasil em parceria com outros nove países, incluindo Bolívia, Colômbia e Estados Unidos, sob a gestão de Joe Biden.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em março de 2025 que as injustiças do colonialismo permaneceram sem reconhecimento. Guterres declarou que a escala da crueldade da escravidão é incompreensível e que reconhecer essa verdade é vital para reparar erros do passado. O diplomata defendeu a criação de mecanismos de justiça reparatória para corrigir danos históricos.
Outras ações recentes incluem a classificação do tráfico de escravizados como o “mais grave crime contra a Humanidade”, aprovada em março deste ano com 123 votos a favor. O texto enfatizou a persistência do neocolonialismo e da discriminação racial na sociedade atual.
Na última segunda-feira, a Comissão das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (Cerd) afirmou que países são legalmente obrigados a considerar reparações pelo tráfico transatlântico. A advogada liberiana Pela Boker-Wilson, integrante do Cerd, disse que a luta contra a discriminação atual não pode ser separada do enfrentamento das injustiças históricas.


