A produtora Karina Ferreira da Gama, alvo de operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (10), afirmou em documento assinado em 3 de setembro ter sido pressionada por três interlocutores diferentes para realizar uma delação premiada. A investigação apura o uso de emendas orçamentárias na produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar o desvio de recursos públicos. A Polícia Federal aponta o deputado Mario Frias (PL-SP) como agente central do esquema. Segundo a PF, o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, recebeu R$ 2 milhões de emendas propostas por Frias, embora a investigação não afirme que a verba tenha financiado a obra.
No documento, a dona da produtora GoUp Entertainment relata que Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, a procurou em 20 de maio. Segundo Karina, ele ofereceu apoio jurídico e alegou proximidade com o ministro Flávio Dino para sugerir uma delação com conteúdo que prejudicasse o candidato Flávio Bolsonaro (PL). Sarney negou conhecer a empresária e disse que a informação sobre sua proximidade com o ministro é absurda.
A empresária registrou ainda um contato em 27 de agosto com um pastor, descrito como amigo de longa data. Ela afirma que o religioso alegou ter influência no governo federal e no STF, além de ter sugerido contato com a primeira-dama Janja Lula da Silva. Karina declarou ter recusado a proposta por não ver razões para colaborar.
O terceiro contato ocorreu em 3 de setembro, data da assinatura da declaração, com um jornalista. A produtora afirma que o profissional sugeriu que ela estaria servindo de “bucha de canhão” para o candidato e que, caso não fizesse a colaboração premiada, poderia ser alvo de medidas judiciais. A empresária não anexou provas dos contatos ao documento.


