Uma ordem judicial para bloquear R$ 3,281 bilhões do empresário Nelson Tanure resultou na retenção de apenas R$ 268,08, segundo documentos do sistema Sisbajud. O bloqueio foi protocolado em 13 de janeiro pela 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo em ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF).
O valor de R$ 268,08 foi localizado pela Genial Investimentos, que informou a insuficiência de saldo para cumprir a totalidade da ordem, incidindo sobre depósitos a prazo, títulos ou valores mobiliários. A Caixa Econômica Federal respondeu que o empresário não possuía saldo positivo na instituição.
A medida ocorreu no contexto da Operação Compliance Zero, que deflagrou buscas e apreensões contra Tanure em 14 de janeiro. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e organização criminosa.
Em 6 de janeiro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o bloqueio de bens após a Polícia Federal apontar indícios de que o empresário seria um sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de estruturas societárias complexas. A defesa de Tanure negou a acusação e afirmou que ele foi apenas cliente da instituição financeira.
Os documentos tornaram-se públicos após o presidente do STF, Edson Fachin, determinar a retirada do sigilo das investigações do Banco Master. Fachin convocou os 11 ministros da Corte para discutir a investigação em plenário no dia 15 de setembro.
A liberação do material foi executada pelo relator André Mendonça. A decisão ocorre enquanto o Supremo analisa relatórios da Polícia Federal que citam contatos de Daniel Vorcaro com integrantes do tribunal, incluindo o ministro Alexandre de Moraes.


