Nesta quarta-feira (27), ativistas e gestoras públicas apresentaram dados crescentes de feminicídio no Brasil em audiência na Câmara dos Deputados para defender a aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia (PL 896/23), já aprovado pelo Senado. Só de janeiro a março deste ano, foram 399 casos.
A socióloga Bruna Camilo, assessora do Ministério da Saúde, apontou que o assassinato de mulheres segue em alta apesar das leis existentes. Ela defendeu a responsabilização dos agressores e ações educacionais para ‘desradicalizar’ meninos e homens violentos.
A perita criminal Beatriz Figueiredo, do Ministério da Justiça, afirmou que ‘a mulher é morta quando ela deixa de apanhar calada’ e destacou estudo que identificou 105 mil vídeos misóginos nas redes, com quase 4 bilhões de visualizações. Segundo ela, 80% dos canais são monetizados.
A secretária nacional de enfrentamento à violência, Estela Bezerra, lembrou que, dos 1.568 feminicídios em 2025, 30% das vítimas buscaram ajuda do poder público, mas houve falha na prevenção. ‘O feminicídio é uma morte anunciada’, disse.
A deputada Ana Pimentel (PT-MG) explicou que a lei vai diferenciar misoginia de desigualdade: ‘Misoginia é o ódio às mulheres, que as inferioriza, animaliza e objetifica’. A coordenadora do grupo de trabalho, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), anunciou que a próxima audiência, em 3 de junho, será a última antes do relatório final.


