Uma professora de 63 anos, homenageada na 23ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de Mato Grosso, relatou ter enfrentado repressão ao crescer como mulher lésbica nos anos 1960. Ela narrou como o preconceito forçou o esconderijo familiar e a busca por espaços de fortalecimento social.
A professora afirmou que, por não atender às expectativas familiares, foi enviada para um internato religioso na adolescência. Lá, deveria aprender os chamados “modos de moça”, pois parecia “macho”, segundo ela. Assumir a orientação sexual naquela época implicava medo constante de discriminação e julgamento, forçando muitas mulheres a se esconderem para evitar consequências.
A trajetória da professora se conecta ao tema do evento deste ano, “Envelhecer com Orgulho: Democracia, Resistência e Memória”. Ela declarou que chegar aos 63 anos “continuando a existir” é um ato de resistência. Para ela, é fundamental que existam políticas públicas ativas para o cuidado da população LGBTQIAPN+, que contribui para a sociedade.
Em outro dado relevante, o IBGE incluiu a orientação sexual autoidentificada na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) em 2019. O levantamento registrou cerca de 35,9 mil pessoas com 18 anos ou mais que se declararam homossexuais ou bissexuais em Mato Grosso, representando aproximadamente 1,4% da população adulta do estado naquele ano.

