A disseminação de receitas com alto teor de proteínas nas redes sociais, impulsionada por influenciadores como Virginia Fonseca, gerou a tendência do “proteinmaxxing”. A prática, que busca maximizar a ingestão de nutrientes para emagrecimento e definição corporal, recebe alertas de médicos sobre a periculosidade de copiar cardápios de celebridades sem considerar individualidades biológicas.
A médica Bruna Manes, especialista em Nutrologia e Endocrinologia, afirma que a quantidade de proteína deve ser definida conforme a necessidade de cada pessoa. Segundo a profissional, fatores como peso, idade, composição corporal, nível de atividade física e objetivos individuais determinam a dose adequada, tornando a reprodução de rotinas alimentares de famosos inadequada para a maioria dos organismos.
O nutriente ganhou espaço associado não apenas ao ganho de massa muscular, mas também à saciedade. Ingredientes como cottage, ovos, frango, iogurte grego e whey protein passaram a compor preparações rápidas e visualmente atraentes, adaptadas ao formato de conteúdo das redes sociais. O cottage, anteriormente usado em refeições leves, agora aparece em doces, panquecas e sorvetes.
Manes explica que a concentração excessiva em proteínas pode levar à negligência de outros nutrientes essenciais, como fibras, vitaminas, minerais, carboidratos e gorduras. A médica ressalta que a adição de um ingrediente proteico não transforma automaticamente uma receita em saudável, sendo necessário analisar o contexto geral da alimentação do indivíduo.
A tendência também estimulou a contagem rígida de proteínas por refeição na expectativa de acelerar a perda de gordura. No entanto, a ingestão indiscriminada não produz resultados melhores. A especialista informa que o excesso de proteína não gera, por si só, maior eficiência física, e que o plano alimentar ideal deve ser sustentável e respeitar as necessidades nutricionais de cada paciente.


