O Superior Tribunal de Justiça aplicou ao ministro Marco Buzzi a sanção de disponibilidade com proposta de perda do cargo após processo instaurado por acusações de assédio sexual. A decisão, que representa um marco para a magistratura, demonstra que denúncias podem gerar consequências, apesar de o ministro negar as acusações.
A sanção imposta pelo STJ é considerada um acontecimento histórico, pois o próprio tribunal aplicou uma consequência disciplinar de grande gravidade a um de seus membros. O episódio simboliza a possibilidade de a palavra de mulheres superar barreiras de poder institucional, indicando que nenhum cargo público torna seu ocupante imune à investigação.
O caso Buzzi provoca reflexão sobre a necessidade de transformar a coragem institucional demonstrada em padrão. O texto aponta um contraste com outros episódios no Judiciário, como a Operação Sisamnes e a Operação Faroeste, que expuseram suspeitas de corrupção e venda de decisões.
A punição por conduta sexual é vista como legítima, mas o debate se concentra na seletividade ética do sistema. Questiona-se por que algumas denúncias geram respostas fulminantes, enquanto outras suspeitas de corrupção ou tráfico de influência permanecem em sigilo ou indefinidas.


