A numeração de roupas não oferece informações suficientes para a avaliação corporal de um indivíduo, segundo médicos. A discussão sobre o manequim 38 ganhou espaço nas redes sociais após usuários associarem a medida a um tipo específico de corpo, ignorando que o tamanho varia conforme a marca, o tecido e a modelagem.
O médico Wandyk Allison explica que o manequim informa apenas como determinada peça veste o corpo, mas não revela peso, percentual de gordura, massa muscular ou risco metabólico. Fatores como estrutura óssea, altura e genética fazem com que pessoas com medidas semelhantes tenham composições físicas distintas.
A endocrinologista Patricia Gracitelli afirma que nem o manequim nem o peso isolado indicam se uma pessoa está metabolicamente saudável. Para um diagnóstico preciso, é necessário observar a circunferência abdominal, pressão arterial, glicemia, colesterol e triglicerídeos, além da distribuição da gordura no organismo.
A gordura visceral, concentrada na região abdominal e ao redor dos órgãos, é apontada como um fator de risco para diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Segundo Gracitelli, uma pessoa pode usar numeração pequena e ter peso considerado normal, mas ainda assim apresentar excesso de gordura visceral e alterações metabólicas.
O Índice de Massa Corporal (IMC) também é citado como ferramenta limitada, pois não distingue massa muscular de gordura. Wandyk ressalta que confundir aparência com funcionamento biológico pode dar uma falsa sensação de segurança a quem parece magro ou rotular erroneamente como doente quem possui um corpo maior.
A associação entre saúde e etiquetas de roupa pode levar a dietas restritivas e perda de massa muscular. A endocrinologista adverte que o objetivo de um tratamento médico nunca deve ser caber em um número específico de roupa, já que emagrecer de forma inadequada não significa melhorar a saúde.


