A Justiça brasileira recebeu, em 2025, uma média de 32 casos de feminicídio e tentativa de feminicídio por dia. Esse número representa um aumento de 16% em relação a 2024.
A assistente administrativa Flávia Araújo, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, compartilhou sua experiência. Ela foi atropelada pelo ex-namorado em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, há quase três anos. Flávia relatou: “Passei a ter crise de pânico, ansiedade, tinha que tomar remédio para dormir, remédio para acordar”.
Flávia descreveu o momento do ataque: “Naquele momento, eu olhei para o céu e me despedi da vida porque eu achei que não ia ter ajuda. Minha voz não saía, eu não conseguia me levantar, não conseguia me mexer”. Ela fraturou uma vértebra da lombar e foi salva por um policial que presenciou a cena pelas câmeras de segurança e ajudou a prender o agressor em flagrante.
Um levantamento do Conselho Nacional de Justiça revelou que, em 2025, o Poder Judiciário recebeu 11.883 novos casos de feminicídio. A defensora pública Thais dos Santos Lima afirmou: “A cada ano, o Brasil vem batendo recorde de casos de feminicídio. Então, a gente começa a perceber o que falta a gente fazer”.
Thais destacou a importância da medida protetiva de urgência, que obriga o agressor a manter distância da vítima. Ela afirmou: “A mulher que busca a medida protetiva no início desse relacionamento violento, ela pode ser salva e não ser mais uma vítima de feminicídio”. Em 2025, a Justiça concedeu mais de 620 mil pedidos de medida protetiva, cerca de 70 por hora, com o tempo médio para obtenção reduzido para quatro dias.
A juíza Renata Gil ressaltou que a sociedade também precisa colaborar: “Os condomínios dos prédios precisam ter mecanismos de denúncia, é obrigação dos síndicos denunciar. Existe campanha para que todos os estabelecimentos comerciais, bares, restaurantes ajudem nesse processo de denúncia, protegendo de uma tentativa de feminicídio”.
Flávia, que teve seu agressor condenado a nove anos de prisão em julho de 2025, declarou: “Todos os dias eu sofro, eu choro, eu penso, mas não deixo de viver”.


