A Polícia Federal deflagrou a Operação Gemini nesta segunda-feira (8) para investigar um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Judiciário de Mato Grosso. A operação teve como alvos o desembargador Dirceu dos Santos, do TJMT, e o deputado estadual Faissal Calil.
As medidas, autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), incluem mandados de busca e apreensão e a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. A Polícia Federal apura a possível prática dos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, buscando provas de favorecimento mediante pagamento de vantagens indevidas.
O desembargador Dirceu dos Santos já era alvo de apurações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em março deste ano, o CNJ determinou seu afastamento cautelar após identificar movimentações financeiras incompatíveis com sua renda. Segundo levantamentos, o magistrado movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos, com indícios de proferir decisões em troca de benefícios financeiros.
As investigações também apontam uma evolução patrimonial sem justificativa entre 2021 e 2023. Somente em 2023, a diferença entre o crescimento patrimonial e os rendimentos declarados pelo desembargador alcançou cerca de R$ 1,9 milhão, de acordo com dados do CNJ. O nome do magistrado surgiu em apurações sobre outro desembargador do TJMT, afastado desde agosto de 2024 por suspeitas de comercialização de decisões.


