A Receita Federal deflagrou a Operação Conto da Sorte na manhã desta quinta-feira (18) para desmantelar um grupo de 37 empresas de apostas eletrônicas ilegais. O esquema movimentou R$ 50 bilhões, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Ceará e São Paulo.
A investigação apurou que o grupo operava sob autorizações concedidas indevidamente por administrações municipais. As apurações tiveram início após a Prefeitura de Bodó, no Rio Grande do Norte, criar a autarquia LOTSERIDÓ, que credenciou irregularmente as empresas de apostas de quota fixa. Embora a autarquia tenha sido encerrada em outubro de 2025, as empresas continuaram operando sem a autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).
Durigan declarou que a prática foi denunciada pela SPA e levada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que confirmou que municípios não possuem competência legal para autorizar jogos e apostas no país. O grupo investigado consistia em dezenas de firmas de jogos de azar e instituições de pagamento, cujos controles financeiros e gerenciais ficavam com os chefes do esquema.
As apurações indicam movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados, além de indícios de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro por meio da aquisição de imóveis. Constatou-se também a ausência de repasse sobre a receita líquida das apostas, conforme previsto na Lei nº 14.790/2023.

