A América Latina e o Caribe concentram a maior parte da arrecadação fiscal nos mais pobres, pois os sistemas tributários priorizam impostos sobre o consumo em vez de tributos sobre a renda. Especialistas apontam que essa política fiscal aprofunda a desigualdade, apesar de os impostos financiarem serviços públicos essenciais.
A Oxfam declarou em sua publicação que a política fiscal na região arrecada pouco e de forma injusta, o que aprofunda a extrema desigualdade. Segundo a organização, a estrutura tributária funciona contra o potencial de redistribuição, protegendo quem mais possui. Uma diretora de programas da Oxfam na região afirmou que os lares de baixa e média renda sustentam o sistema, pois pagam impostos sobre o consumo.
A crítica se baseia em dados de contribuição: enquanto um dos 50% mais pobres pode destinar cerca de 45% de sua renda a impostos, o 1% mais rico contribui com menos de 20%. Pesquisadores do México e da Argentina explicaram que o foco no consumo gera um efeito regressivo, pois famílias com poupança menor gastam proporcionalmente mais.
Além disso, a tributação sobre capital e patrimônio é insuficiente. Uma especialista da Oxfam apontou que parte da renda dos mais ricos vem do capital, que recebe benefícios fiscais. A alta informalidade no mercado de trabalho também limita a arrecadação, forçando os estados a depender mais de impostos indiretos, como o IVA.
Para tornar o sistema mais justo, economistas sugerem ampliar a base tributária e reduzir tratamentos preferenciais. Um economista do Banco Mundial afirmou que reformas podem gerar ganhos em equidade, eficiência e arrecadação, focando em quem paga a conta fiscal.

