Empresas criadas a partir de 2021 receberam cerca de R$ 870 milhões do banco Master entre 2022 e 2025, segundo levantamento baseado em documentos do Fisco. De acordo com dados enviados à CPI do Crime Organizado, 35 das 117 firmas que receberam pelo menos R$ 5 milhões possuem esse perfil jovem.
O banco, que passou a operar como Master em 2021 após assumir o controle do Banco Máxima em 2019, teve pagamentos a essas firmas classificados como serviços prestados. Especialistas apontam que certas características dessas empresas indicam negócios de fachada. Um caso notório é o da Telure, fundada em 2023, que recebeu mais de R$ 110 milhões do Master. A diretora da empresa, Fabia Franca, também lidera a Nanook, que recebeu R$ 93 milhões, e a Utter, que recebeu R$ 48 milhões.
O professor Rafael Alcadipani, da FGV, comentou que o alto volume de recursos direcionados a essas empresas deve gerar alerta nos órgãos de controle. Ele afirmou que o uso de cadastros falsos, como telefones repetidos, é um “expediente típico de empresa de fachada usado pelo crime organizado até para lavar dinheiro”.
Outras empresas jovens sob escrutínio incluem a Metanoein, fundada em 2021, que recebeu R$ 102 milhões e está alvo de investigação por suposto esquema de lavagem de dinheiro. Além disso, a Copenhagen, recém-constituída, recebeu R$ 58 milhões, e a Eclipse, aberta em 2023, recebeu R$ 47 milhões, operando a partir de um sobrado residencial em Contagem (MG).

