O Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal cumprem, nesta sexta-feira (28), seis mandados de busca e apreensão contra o grupo NSX, proprietário da Betnacional. A operação Jogo das Sombras investiga crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, resultando no bloqueio de R$ 191 milhões em bens.
As diligências ocorrem em São Paulo, Recife e João Pessoa. Segundo a Procuradoria, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a plataforma movimentou mais de R$ 5 bilhões em 2025. A Receita Federal afirma que os investigados utilizaram uma empresa de fachada em Curaçao, no Caribe, para simular que a operação ocorria fora do Brasil antes da regulamentação do setor.
O Fisco aponta que empresas nacionais vinculadas ao grupo eram as reais responsáveis pelas atividades no país. A investigação indica o uso de contas em fintechs para dificultar o rastreamento de recursos e a declaração de despesas fictícias ao Fisco. De acordo com o órgão, a exploração da atividade já ocorria em território nacional sem autorização ou recolhimento de tributos antes de 2025.
Em nota, a NSX Brasil confirmou a diligência em seu escritório no Recife e informou que a companhia colaborará com as autoridades. A empresa afirmou que seus advogados ainda não tiveram acesso aos autos da investigação e que a companhia segue a legislação aplicada a empresas de Wall Street.
A Betnacional é subsidiária da escocesa Flutter, listada na Bolsa de Nova York, que pagou R$ 2 bilhões por 56% da companhia brasileira. A marca é comandada pelos primos João Guilherme Monte Studart e Eduardo Lima Monte.
Daniele Cardoso, secretária de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, informou que a bet continua funcionando. A secretária explicou que a pasta aguarda o compartilhamento de provas pelo Judiciário e mencionou a existência de dois processos sancionadores contra a empresa que podem levar à proibição de suas atividades.

