O Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal deflagraram, nesta sexta-feira (28), a operação Jogo de Sombras para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a NSX Brasil, empresa controladora da Betnacional. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 191 milhões do grupo investigado.
A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão em São Paulo, Pernambuco e Paraíba. Segundo as investigações, os alvos movimentaram R$ 5 bilhões e utilizavam uma rede de CNPJs e paraísos fiscais para mascarar a estrutura da empresa, que estaria sediada integralmente no Brasil há mais de seis anos.
As apurações, iniciadas pelo Gaeco Nacional com apoio da Receita Federal, indicam que a NSX Brasil cadastrou operações em Curaçao para evitar a fiscalização do Fisco brasileiro antes da regulamentação do setor. O secretário do Fisco, Robinson Barreirinhas, declarou que a empresa se apresentava no exterior de forma simulada para não pagar tributos no Brasil.
Daniele Cardoso, secretária de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, afirmou que a descapitalização de organizações criminosas é uma missão fundamental. O procurador Fábio George Cruz da Nóbrega disse que a prioridade dos órgãos de controle é retirar a capacidade de realização de novas ações ilícitas.
A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) informou que a Betnacional responde a dois processos administrativos sancionatórios, mas que não aplicará medida cautelar para paralisar as apostas no momento. A pasta colaborou com dados para a apuração, que ocorre após a operação Arena identificar evasão fiscal superior a R$ 1 bilhão pelos donos da Pixbet na Paraíba, há 15 dias.
Em nota, a NSX Brasil afirmou que recebeu a diligência em seu escritório em Recife e que colaborará integralmente com as autoridades. A companhia declarou que conduz suas operações em conformidade com a legislação e a regulamentação, mantendo estruturas de governança alinhadas aos padrões da Flutter Entertainment, grupo global do qual faz parte.

