O Instituto Nacional do Câncer (INCA) lançou neste sábado (29), data do Dia Nacional de Combate ao Fumo, a campanha “Atividade Física e Saúde: Treinar não Combina com Fumar”. A iniciativa alerta que a prática de exercícios não compensa os danos causados pelo uso de cigarros e outros produtos de nicotina no organismo.
Segundo o INCA, a nicotina contrai os vasos sanguíneos e diminui o fluxo de sangue para órgãos e músculos. A substância reduz a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue e inflama as vias aéreas, o que torna o esforço físico maior para fumantes em comparação a não fumantes.
Vera Borges, psicóloga e especialista da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do INCA, explicou que todos os ganhos da atividade física são perdidos devido aos prejuízos trazidos pelos derivados do tabaco. A campanha também foca no público jovem para evitar a experimentação de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs).
Dados da Organização Mundial de Saúde indicam que o consumo de tabaco mata cerca de 8 milhões de pessoas anualmente no mundo. Desse total, 1,3 milhão de mortes decorrem do fumo passivo, elevando riscos de diabetes tipo 2, derrames e doenças cardíacas.
No Brasil, 20,4 milhões de pessoas, o que representa 12,8% da população, são afetadas por esses produtos. Entre estudantes de 13 a 17 anos, 18,5% relataram ter experimentado cigarro ao menos uma vez. O INCA aponta que 477 pessoas morrem precocemente por dia no país devido ao tabagismo.
O diretor-geral do INCA, Gilberto Gil, afirmou que novas situações ameaçadoras surgiram para as conquistas obtidas no combate ao hábito. Apesar disso, a atividade física é recomendada como apoio para quem deseja parar de fumar, pois a liberação de substâncias de bem-estar reduz sintomas de abstinência e eleva a autoestima.
O tratamento para cessação do tabagismo é gratuito via Sistema Único de Saúde (SUS). O paciente deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e possível encaminhamento a terapias individuais ou em grupo, com uso de medicamentos como bupropiona e adesivos de nicotina, conforme o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT).


