O senador Flávio Bolsonaro evitou explicar, nesta terça-feira (1º), a transferência de US$ 1,6 milhão feita pelo banqueiro Daniel Vorcaro para um fundo ligado ao filme Dark Horse. O repasse, registrado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ocorreu quatro meses após o parlamentar afirmar que os pagamentos para a produção haviam sido encerrados.
Segundo a apuração da imprensa, o relatório do Coaf indica que o dinheiro foi enviado no dia 16 de setembro de 2025 para o Havengate Development Fund, estrutura que administra os recursos da obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Questionado por jornalistas no Senado, Flávio afirmou que não acompanha os repasses e que as informações devem ser solicitadas à produtora.
A nova operação contrasta com declaração dada pelo senador em maio, quando afirmou em entrevista que o último pagamento de Vorcaro havia ocorrido naquele mês. O documento do órgão de controle, porém, aponta a movimentação financeira ocorrida quatro meses depois.
A transferência aconteceu oito dias após o senador enviar um áudio ao banqueiro, no dia 8 de setembro de 2025, cobrando parcelas atrasadas. Na gravação, Flávio diz que a situação estava tensa e que não se poderia vacilar nem deixar de honrar os compromissos.
O parlamentar já havia alterado a versão sobre sua atuação na captação de recursos. Inicialmente, negou ter procurado Vorcaro para financiar o filme, mas admitiu a ação após a divulgação de mensagens e áudios entre ambos.
Em maio, Flávio prometeu divulgar a prestação de contas da produção em 30 dias, prazo que expirou sem a publicação dos dados. Em agosto, mudou o discurso ao afirmar que a prestação de contas já havia sido feita pela produtora e classificou o assunto como uma página virada.


